PAZ Pro: o energético que entrou na disputa da proteína
A PAZ lançou a linha Pro com 15 g de proteína, 80 mg de cafeína e lata dourada. A marca de Marcos Leta cruza duas categorias em alta.

A gôndola de energético é um corredor barulhento. Lata preta, tipografia de impacto, nome que fala em limite, explosão e adrenalina. Quando a PAZ chegou, em 2025, entrou nessa prateleira com uma lata branca e silenciosa, em que só o logotipo mudava de cor conforme o sabor.
A linha nova dela faz o movimento seguinte. A lata virou dourada, e dentro dela entrou proteína.
Este artigo foi produzido em parceria com a PAZ. A apuração, a seleção dos dados e as opiniões são do Marca & Movimento.
O que tem na lata
A PAZ Pro reúne 15 g de proteína do colágeno, 80 mg de cafeína, 30 mcg de biotina e BCAA completo na proporção 1:2:1. O produto é zero carboidrato, zero açúcar e sem glúten, numa lata de 350 ml sem gás.
Chega em três sabores: tangerina, morango e limão.
Dois números merecem atenção de quem lê rótulo. O primeiro é a cafeína: a linha original da PAZ trabalha com 165 mg numa lata de 473 ml, e a Pro desce para menos da metade disso. A bebida foi calibrada para acompanhar o dia, com um empurrão discreto.
O segundo é a fonte da proteína. O colágeno hidrolisado entrega aminoácidos em peptídeos de absorção rápida, e a marca complementa a fórmula com o BCAA em separado, que é o que fecha o perfil de aminoácidos de cadeia ramificada. É uma construção diferente da do whey, e a escolha conversa com o formato: colágeno dissolve limpo numa bebida sem gás, sem a textura pesada que uma proteína do leite traria para uma lata de 350 ml.

Quem está por trás
A PAZ é de Marcos Leta, o mesmo nome por trás da Do Bem, fundada em 2009 e vendida à Ambev em 2016, e da Fazenda Futuro, de 2019.
A entrada no mercado de bebidas tinha hora marcada por contrato. Uma cláusula de não concorrência assinada na venda da Do Bem impediu Leta de lançar bebida durante anos. A PAZ é o que ele fez quando o prazo acabou.
O alvo declarado é alto. Leta quer colocar a PAZ como terceira maior marca de energético premium do Brasil, atrás de Red Bull e Monster, numa categoria que a consultoria IMARC estima em US$ 3,3 bilhões no Brasil em 2025.
A estratégia do silêncio
O jeito de construir a marca é a parte mais interessante do caso.
A PAZ começou com o perfil do Instagram fechado, exigindo aprovação para seguir, e um site que funcionava por convite. A distribuição inicial foi deliberadamente estreita: 47 lojas da rede Zona Sul no Rio, a Casa Santa Luzia em São Paulo, o St. Marche, o Mambo. Só depois vieram Carrefour, Assaí e as redes de volume.
Enquanto todas as marcas de energéticos gritam todo dia, a gente vai ser uma marca totalmente misteriosa.
Marcos Leta, fundador da PAZ
A aposta começou a aparecer em território esportivo. Na Maratona do Rio de 2026, a PAZ foi o energético oficial da Casa Marun by New Balance, ocupando um espaço que historicamente era da Red Bull. Seis dias de ativação no Parque dos Patins, na Lagoa, diante de um público de corredores.
É o mesmo caminho que outras marcas de nutrição esportiva vêm percorrendo no Brasil, construindo autoridade dentro da comunidade antes de brigar por gôndola, como acontece nas categorias de hidratação esportiva e de gel de carboidrato.
A lata que virou dourada
A decisão de design da Pro cabe numa frase: o sistema continua o mesmo, e o fundo mudou.
A PAZ construiu um código visual reconhecível com a lata branca e o logotipo em listras horizontais, que troca de cor a cada sabor. Na Pro, esse mesmo logotipo listrado aparece sobre fundo dourado. O topo da lata também fala: onde a linha original diz energy + taste, a Pro diz energy + protein, e acrescenta não gaseificado.
O dourado faz o trabalho pesado na prateleira. Ele avisa que ali dentro tem outra coisa antes de qualquer pessoa ler o rótulo, e faz isso sem criar uma marca nova nem quebrar o reconhecimento que a lata branca já tinha construído. É extensão de linha resolvida pela cor, que é o recurso mais barato e mais arriscado do design de embalagem, porque exige que o sistema original seja forte o bastante para aguentar a troca.
A fronteira que a PAZ aposta que caiu
Energia e proteína cresceram como categorias separadas, cada uma com seu público e seu horário. A tese da Pro é que essa divisão parou de fazer sentido para quem trabalha, treina e ainda quer chegar inteiro ao fim do dia.
Nas palavras de Leta, "energia vai muito além da cafeína".
A PAZ não está sozinha nessa leitura. A Moving também colocou no mercado um energético proteico, com 15 g de proteína e 100 mg de cafeína, o que indica uma categoria em formação, com mais de uma marca apostando ao mesmo tempo na mesma fronteira. Quem chegar primeiro à lata que o consumidor pega sem pensar leva a categoria inteira.
O que a PAZ Pro revela
O mercado brasileiro de bebida funcional passou anos vendendo intensidade. A promessa era o pico: a lata que te acorda, o gel que te empurra no quilômetro 30, o pré-treino que te coloca na barra.
A PAZ está vendendo outra coisa, e o nome da marca já entregava isso antes do produto existir. Uma lata que acompanha a rotina inteira, com cafeína suficiente para funcionar e proteína suficiente para contar na soma do dia, dentro de uma embalagem que parece mais uma garrafa de vinho branco do que um energético.
É uma leitura de quem entendeu que a comunidade esportiva brasileira amadureceu. A pessoa que corre às seis da manhã, trabalha oito horas e treina de novo à noite já passou da fase de querer sentir o coração acelerar. Ela quer chegar no domingo sem dívida com o corpo. A marca que souber falar com essa pessoa vende um lugar na rotina, e esse espaço vale bem mais que um pico de adrenalina.

