Hidratação esportiva: 7 marcas de eletrólitos no Brasil
Do isotônico clássico ao repositor em pó e em pastilha, sete marcas de hidratação esportiva disponíveis no Brasil e o que cada uma resolve no treino.

Depois de um treino longo no calor, a camiseta seca e fica uma marca branca no tecido. É sal. Aquilo que ficou no algodão saiu do corpo, e junto com a água foi embora parte do que sustenta a contração muscular na segunda metade do esforço.
O suor carrega sódio, potássio, cálcio e magnésio. Repor água sozinha resolve metade do problema. A outra metade tem nome de eletrólito, e virou uma das categorias mais movimentadas da nutrição esportiva.
Um mercado que acordou
O mercado global de reposição de eletrólitos movimentou US$ 38,3 bilhões em 2024, com projeção de chegar a US$ 66,6 bilhões até 2034. Só nos Estados Unidos o setor cresceu 20% em 2024, segundo levantamento do NeoFeed. A líder americana, a Liquid I.V., foi comprada pela Unilever em 2020 e se aproximou de um valuation de US$ 1 bilhão.
No Brasil o capítulo está começando. Apenas 8% da população pratica esporte, o que significa que a categoria cresce num terreno ainda pouco ocupado. Sete marcas dividem essa prateleira hoje.
Os clássicos que criaram a categoria
O Gatorade é o pai de todos. Ele nasceu em 1965, na Universidade da Flórida, quando a comissão técnica do time de futebol americano procurou o pesquisador Robert Cade preocupada com o efeito do calor nos jogadores. Cade coletou amostras de fluidos do elenco e descobriu eletrólitos desequilibrados, glicemia baixa e volume sanguíneo reduzido.

A primeira fórmula levava água, sal, citrato de sódio, frutose e fosfato monopotássico. Funcionava e era intragável: os três médicos que provaram cuspiram. Foi a mulher de Cade quem sugeriu suco de limão para salvar o sabor. A bebida estreou em campo em 2 de outubro de 1965, contra o LSU, conforme o registro histórico da própria Universidade da Flórida. Os Gators venceram por 14 a 7.
O Powerade, da Coca-Cola, é a resposta azul a essa história. Chegou depois, se apoiou no músculo de distribuição da dona e virou o isotônico de geladeira de posto, de banco de reservas e de Copa do Mundo. É o produto que mais gente do país já bebeu sem nunca ter procurado.
Os brasileiros que reescreveram a fórmula
A Liquidz foi lançada em 2024 por Octavio Domit, Victório Braccialli Neto e Arthur Larsen Machado, e se apresenta como a primeira empresa brasileira dedicada só a hidratação com eletrólitos. Domit é triatleta, o que explica bastante da fórmula. O produto entrega mais de 600 mg de eletrólitos por dose, com água de coco orgânica e zero açúcar, e chega em stick de 5 gramas. A rodada inicial de investimento, feita entre família e amigos, teve a participação do técnico Bernardinho.

A Jungle se apresenta como o primeiro isotônico orgânico certificado do Brasil. A base combina água de coco orgânica, tapioca orgânica, suco de fruta e sal marinho, numa formulação batizada de Plant-based Electrolytes, sem corante nem conservante. A marca pertence à Positive Brands, casa certificada B que também é dona da A Tal da Castanha.

A Dobro entrou na categoria pela porta que já conhecia. A foodtech plant-based, fundada em 2018 e conhecida pelos géis de beterraba, lançou o Hidra, repositor em pó com zero açúcares e a mesma lógica de fórmula enxuta que fez o nome da casa. Quem acompanha a marca pelos géis de carboidrato reconhece o método.
Pastilha e cápsula, para quem corre longo
A Z2 Performance trouxe o Saltz, eletrólito em pastilha. Cada sachê de 13 gramas rende 10 pastilhas e concentra sódio, cálcio e magnésio numa dose que dissolve na garrafa. É a mesma pegada de formulação que fez a marca virar autoridade em gel, aplicada agora ao sal.
A Forcell faz o Ion, repositor em pó enriquecido com vitaminas e minerais, em stick que cabe no bolso do short. A marca capixaba, nascida em maio de 2025, cresceu circulando nas maratonas brasileiras, e o Ion segue a mesma filosofia do gel da casa: fórmula direta, sem enfeite.
Como escolher
A decisão passa por três perguntas simples. Quanto tempo dura o esforço, quanto calor faz e quanto a pessoa sua. Treino curto em dia ameno resolve com água. Acima de uma hora, no calor brasileiro, o sódio começa a fazer diferença real. Prova longa pede estratégia montada com antecedência, junto com a de energia, tema dos melhores tênis e do treino longo.
O que a prateleira conta
Hidratação é o assunto menos glamouroso do esporte. Ninguém posta foto de sachê de sal, e nenhum recorde é atribuído a um repositor. Ainda assim, sete marcas disputam esse espaço com laboratório, certificação orgânica, água de coco e investimento de gente que entende de alta performance.
O movimento diz uma coisa sobre a comunidade brasileira. Ela passou a tratar treino como projeto, com etapas que incluem o que se bebe antes, durante e depois. Quando uma população começa a se preocupar com o próprio sal, é sinal de que parou de improvisar.

