Géis de carboidrato: 7 marcas para conhecer no Brasil
Das pioneiras às foodtechs de hidrogel, sete marcas de gel de carboidrato disponíveis no Brasil e o que cada uma resolve no treino longo.

No quilômetro trinta, a conversa muda. O estoque de glicogênio já foi embora, o ritmo começa a pesar e uma decisão que parecia detalhe na véspera vira o assunto mais importante da manhã: qual gel está no bolso do short.
O gel de carboidrato é o combustível portátil do esporte de endurance. Um sachê de 30 a 40 gramas carrega entre 20 e 30 gramas de carboidrato, quantidade que o corpo transforma em energia disponível em poucos minutos. Ele resolve um problema simples de logística: como comer correndo, sem parar e sem carregar peso.
O mercado que cresceu junto com a corrida de rua
A explosão das provas de rua no Brasil arrastou junto uma indústria inteira. Segundo projeções da Associação Brasileira de Empresas de Produtos Nutricionais e da Euromonitor, o setor de suplementos esportivos deve crescer perto de 10% ao ano até 2027, com faturamento acima de R$ 4 bilhões, conforme levantamento publicado pela Forbes Brasil.
Dentro desse movimento, o gel saiu do nicho do maratonista e virou prateleira disputada. Marcas tradicionais dividem espaço com foodtechs que reescreveram a fórmula do zero. Estas são sete delas.
As pioneiras que criaram o hábito
A Probiótica está em nutrição esportiva desde 1986 e o Carb Up é o gel que ensinou o corredor brasileiro a usar gel. Ele virou vocabulário de largada antes de existir concorrência de verdade, e segue em linhas diferentes, com versões que combinam carboidrato de rápida absorção e cafeína.

A GU Energy nasceu em 1994, em Berkeley, na Califórnia. O biofísico Bill Vaughan começou a mexer na fórmula na cozinha de casa para ajudar a própria filha, ultramaratonista, a sustentar as distâncias que corria. A história contada pela marca explica bem por que a GU virou referência global: ela pegou uma ideia de laboratório e transformou em produto de prateleira, num momento em que quase ninguém fazia isso. Hoje a marca opera no Brasil com sabores adaptados ao paladar local, como açaí com banana e coco.
As marcas que mudaram a fórmula
A Pace It trabalha com hidrogel. A tecnologia usa alginato de sódio, um polissacarídeo extraído de alga marinha, que encapsula as moléculas de carboidrato e sal e as protege do pH ácido do estômago. O carboidrato chega mais íntegro ao intestino, onde de fato é absorvido. Para quem já passou aperto gástrico no fim de uma prova longa, esse detalhe de química vale mais que sabor. Cada sachê entrega 30 gramas de carboidrato, com opções de cafeína e concentrações diferentes de sódio.

A Dobro é uma foodtech plant-based fundada em 2018 que construiu a própria identidade em cima de um ingrediente pouco óbvio: a beterraba. A linha BT combina carboidrato com nitrato natural, precursor do óxido nítrico, tema de uma pilha de estudos sobre desempenho em endurance. O gel da casa mistura xarope de tapioca, beterraba em pó e palatinose, três fontes com velocidades de absorção diferentes.
A Z2 Performance construiu reputação por dois caminhos que raramente andam juntos. De um lado, a formulação: 25 gramas de carboidrato num blend 2:1:1 de maltodextrina, frutose e isomaltulose, pensado para liberar energia em janelas distintas do esforço. De outro, a comunidade, com edições feitas em parceria com clubes de corrida. É um recado direto sobre onde a marca acha que a decisão de compra acontece, assunto que já tratamos em clube de corrida, a mídia mais valiosa.
As marcas com raiz brasileira
A Mombora fez a aposta mais autoral do grupo. A linha limita cada gel a no máximo sete ingredientes e usa fruta nativa como matéria-prima: cupuaçu da Amazônia, cambuci da Mata Atlântica cultivado por pequenos produtores em São Paulo, cacau, açaí, sal de Mossoró. O nome vem do tupi, onde mombor carrega a ideia de saltar. É biodiversidade tratada como argumento de performance, coisa que a categoria quase nunca faz.

A Forcell é a mais nova da lista. Nasceu no Espírito Santo em maio de 2025 e cresceu rápido pelo caminho mais difícil, o da prova de rua. Foi o gel oficial da 30ª Maratona Internacional de São Paulo e marcou presença na 41ª Maratona Internacional de Porto Alegre, segundo levantamento do jornal A Gazeta sobre marcas capixabas de suplementação. O carro-chefe é o Essencial Carbo, com blend 2:1 de glicose e frutose e eletrólitos, numa fórmula enxuta que dispensa firula.
O que a prateleira revela
Sete marcas, sete apostas diferentes sobre o mesmo sachê. Uma escolheu a tradição, outra a química, outra a biodiversidade, outra a comunidade. Juntas, elas contam que a corrida brasileira amadureceu a ponto de sustentar essa variedade toda.
Existe algo bonito nisso. O gel é o produto mais invisível do esporte, aquele que ninguém fotografa e que some em dez segundos. Ainda assim, virou território de disputa criativa, com marca de fundo de quintal capixaba e foodtech de laboratório brigando pelo mesmo bolso de short. Quando a categoria mais discreta de um esporte começa a gerar identidade, é sinal de que aquele esporte virou cultura.

