Nike x One Piece: as Frutas do Diabo viram Air Max Plus
A Nike transformou três Frutas do Diabo de One Piece em Air Max Plus. O lançamento global chega à SNKRS em 25 de setembro, por US$ 180 o par.

Numa quadra cercada de prédios, dois braços de borracha dão voltas no ar até enfiar a bola na cesta. Embaixo deles, um garoto de camiseta branca com espirais roxas olha para cima, suspenso. A imagem abre a campanha da primeira colaboração oficial entre Nike e One Piece e resume em um quadro a ideia que sustenta a coleção inteira: um poder que entra pela boca e reescreve o corpo.
O que a coleção traz
São três versões do Air Max Plus, cada uma construída a partir de uma Fruta do Diabo do universo criado por Eiichiro Oda. A Gomu Gomu no Mi, que dá elasticidade a Monkey D. Luffy, aparece em roxo com cadarço verde-limão. A Mera Mera no Mi, a do fogo, chega em laranja e amarelo com cadarço azul-piscina. A Ope Ope no Mi, de Trafalgar Law, veste vermelho com verde.
Segundo o comunicado da Nike, os cabedais foram inteiramente refeitos para o projeto, num molde exclusivo da colaboração. As espirais que marcam as Frutas do Diabo no mangá viraram relevo tridimensional na lateral do tênis.

Ao redor dos tênis vem uma linha de vestuário: jerseys e bonés tirados do arquivo do próprio Air Max Plus, camisetas com painéis de mangá diagramados no estilo dos anúncios clássicos da Nike e um colete inspirado no efeito colateral das frutas, que deixa quem as come odiado pelo mar e incapaz de nadar.
Quanto custa e quando sai
Os três pares saem por US$ 180 cada, com os códigos IR0968-500 (Gomu Gomu), IW1283-800 (Mera Mera) e IW1282-600 (Ope Ope), conforme levantamento do Sole Retriever e do JustFreshKicks.
O calendário é escalonado por cidade. Começou em 4 de setembro, com o pop-up de Tóquio, passa por Hong Kong, Jacarta, Cidade do México, Seul, Xangai, Taipei e Osaka em 12 de setembro, e chega a lojas de Amsterdã, Londres, Madri, Milão, Estocolmo, Dallas, San Diego, Düsseldorf e Washington em 19 de setembro. Sydney fecha a lista entre 16 e 18 de outubro.
Nenhuma cidade brasileira aparece nessa relação. Por aqui, a data que importa é 25 de setembro, quando a coleção entra no lançamento global da SNKRS.
A história do tênis escolhido
A escolha do Air Max Plus como base carrega uma coincidência bonita. O modelo nasceu em 1998, desenhado por Sean McDowell, que traduziu em couro e plástico os dias de praia na Flórida: o degradê veio do pôr do sol, e as nervuras de TPU que sobem pela lateral vieram do balanço dos coqueiros, segundo o histórico reunido pelo Grailed.
Foi também o tênis que apresentou ao mundo o Tuned Air, sistema de cápsulas na entressola que responde de forma diferente em cada ponto do pé. A sigla dessa tecnologia virou apelido, e até hoje o modelo é chamado de TN em boa parte do planeta. A etiqueta amarela com essas duas letras continua ali, escondida na lateral interna do par roxo.

Onde mora a decisão de design
Aqui está o detalhe que faz a coleção funcionar. As nervuras onduladas do Air Max Plus original já eram desenho de movimento, uma folha de palmeira congelada em plástico. A Nike pegou esse mesmo gesto gráfico e girou: a onda virou espiral, e a espiral é exatamente o código visual que identifica uma Fruta do Diabo no mangá. O tênis mudou de assunto sem trocar de gramática.
Nos inspiramos nas habilidades sobre-humanas que se soltam quando os personagens de One Piece comem as Frutas do Diabo, muito parecido com o que um atleta sente quando calça um par de Nike.
Nick Remlinger, gerente-geral de Energy Gaming da Nike
Os outros sinais são igualmente contidos. Cada par carrega um Jolly Roger na língua, a bandeira pirata que no mangá funciona como assinatura de tripulação. As camisetas trazem uma versão do emblema que Luffy desenha na história como marca de uma promessa. E, nos lançamentos presenciais, a compra de calçado vem acompanhada de uma carta colecionável do card game oficial, com arte correspondente ao colorido do par.

O que isso revela
Colaboração de marca esportiva com anime costuma parar na estampa. Coloca o personagem no peito da camiseta, imprime o logo na palmilha, cobra caro e segue em frente. Esta aqui foi fundo na estrutura: refez o molde do cabedal e reaproveitou a própria gramática de design do modelo para falar de um mangá.
É o mesmo movimento que o Marca & Movimento observou na coleção Nations da Umbro, quando o futebol virou repertório de vestuário urbano, e que atravessa boa parte das marcas brasileiras de streetwear que trabalham a partir de referência cultural.
O que sobra dessa coleção, quando a fila da SNKRS acabar, é a confirmação de que o tênis virou objeto narrativo. Ele deixou de servir apenas para andar e passou a carregar a história que quem calça quer contar. Uma geração inteira aprendeu a ler o esporte assim, misturando quadra, mangá e rua no mesmo repertório, e a Nike acabou de escrever essa mistura em relevo, na lateral de um modelo de 1998.
Fonte: about.nike.com

