Oito marcas brasileiras de streetwear para conhecer
De um estúdio de tatuagem em Curitiba a uma máquina de costura comprada com rescisão em Santo André: as origens de oito marcas do streetwear nacional.

A primeira máquina de costura da Class foi comprada com R$ 1.500 de uma rescisão trabalhista. Em Santo André, Eric Cesar e Rafaela Sayuri começaram fazendo boné, sem que nenhum dos dois tivesse trabalhado com confecção ou estudado o assunto. Doze anos depois, a marca virou um arquivo vivo do streetwear paulista, com o skate, o hip hop e o picho da periferia impressos em cada coleção.
Histórias assim se repetem nas oito marcas desta lista. Quase todas nasceram pequenas, tocadas por gente que resolveu vestir a própria turma antes de pensar em mercado.
Class
Fundada em 2014 em Santo André, por Eric Cesar e Rafaela Sayuri, segundo a Sunset Skateshop. Começou como marca de boné e cresceu dentro do universo do skate, com referências de hip hop e de arte de rua. O olhar de quem vive a periferia do ABC paulista dá à Class uma identidade difícil de copiar.
PACE
Criada em 2017 por Felipe e Juliana Matayoshi, no Vila Carrão, zona leste de São Paulo. Nasceu como marca de calçado feito à mão e virou uma casa de lifestyle completa, com vestuário, acessórios e joalheria. A própria marca descreve o cruzamento que a define: o workwear brasileiro encontrando a cultura de Okinawa, herança do fundador. Felipe entrou na lista Forbes 30 Under 30 em 2021 e foi eleito Homem do Ano pela GQ em 2024, como registrou a ELLE Brasil. No caminho, a PACE assinou coleções com ASICS, New Balance, Vans, Red Bull e Spotify.

High Company
A High nasceu em 2012, em Curitiba, criada por Diogo Roccon e um grupo de amigos que queriam viver do que gostavam. É hoje a marca nacional que mais circula fora do país, com coleções assinadas ao lado de Disney, Popeye, Umbro, Tommy Jeans, ÖUS e da própria PACE. A primeira loja física abriu em São Paulo.
Approve
Fundada em 2012 por Leo Picon, com a proposta de roupa criativa e sem gênero. O manifesto Approve Yourself organiza o discurso da marca em torno da ideia de que cada pessoa vale por si, sem depender de validação externa. A collab com a Riachuelo levou esse vocabulário para o varejo de massa.
Chronic
No mercado desde 2011, a Chronic construiu repertório próprio a partir dos quatro elementos do hip hop, do reggae, do movimento canábico e da linguagem da luta de classe. A marca chega ao país inteiro por uma rede de mais de cinco mil revendedores, um modelo de distribuição raro no streetwear nacional.
Desgosto Studios
Projeto do designer curitibano Lucas Garcia, a Desgosto veio de um estúdio de tatuagem e carrega esse traço em tudo. Arte, ironia e crítica social convivem nas coleções, e a embalagem virou parte da peça: caixas que imitam cereal e sabão em pó, no que a marca chama de loja de inconveniência.
Bosy*Coys
Vitor Guerrero começou em 2020 pintando jaqueta jeans à mão, dentro de casa. A tinta em alto-relevo virou assinatura e o azul royal virou cor de identificação. A marca vende cerca de cem peças por mês pelo próprio e-commerce e começou a entrar em multimarcas selecionadas, escolhendo uma a uma para manter o controle do próprio discurso. Matuê está entre os clientes.
Blunt
A mais antiga da lista em raiz de skate, a Blunt pertence ao grupo Globalco e transita entre street, surf e sportswear. As fontes públicas divergem sobre a data exata de fundação, então fica o que é possível afirmar com segurança: a marca já era reconhecida no mercado quando o grupo a incorporou, e o skate segue no centro do que ela produz.
O que essas oito histórias têm em comum
O ponto de partida de todas elas foi doméstico: uma máquina de costura comprada com rescisão, um estúdio de tatuagem, uma jaqueta pintada na sala de casa, um grupo de amigos querendo viver do que gostava. O streetwear brasileiro se construiu de dentro para fora, e é por isso que veste tão bem quem cresceu vendo o skate passar na calçada e o som sair da caixa na esquina. A roupa aqui funciona como carteira de identidade, e cada uma dessas oito marcas emitiu a sua.
Fonte: instagram.com

