Mundo Esportivo

Yomif Kejelcha bate o recorde mundial da meia maratona

Kejelcha correu os 21 km de Buenos Aires em 56:51, com pace de 2:41 por quilômetro, calçando o Adizero Adios Pro Evo 3, de 97 gramas.

Yomif Kejelcha corre sozinho pela avenida em Buenos Aires, escoltado por motos, com o número 1 no peito

Aos sete quilômetros, ele se soltou do grupo. Do quilômetro sete até a chegada, o etíope Yomif Kejelcha correu sozinho pelas avenidas de Buenos Aires, escoltado por motos, com uma vantagem que chegou a dois minutos e trinta segundos sobre o segundo colocado.

O relógio parou em 56:51. Recorde mundial da meia maratona.

O que o número significa

Kejelcha percorreu 21,0975 quilômetros a um ritmo médio de 2 minutos e 41 segundos por quilômetro. Vale traduzir isso: é um corredor sustentando, por quase uma hora inteira, uma velocidade acima de 22 km/h.

A marca tirou 29 segundos do recorde anterior, de 57:20, que o ugandês Jacob Kiplimo tinha estabelecido em Lisboa em março e que seguia pendente de ratificação. Com isso o etíope retomou um recorde que já havia sido dele, com os 57:30 feitos em Valência em outubro de 2024, segundo o relato da World Athletics.

A prova largou com 6°C e vento fraco, num circuito plano considerado um dos mais rápidos das Américas. Kejelcha correu atrás de dois pacemakers, o ugandês Dillon Kipyeko e o queniano Brian Kipmwetich Kipkore, até decidir ir embora sozinho.

O currículo de quem quebrou

O feito de Buenos Aires entra numa sequência que já era rara. Em abril, Kejelcha estreou na maratona em Londres e cruzou a linha em 1h59min41s, em segundo lugar, atrás de Sabastian Sawe, que fez 1h59min30s.

Aquele resultado o transformou no segundo atleta da história a correr uma maratona abaixo de duas horas em condições válidas para recorde. Quatro meses depois, ele reduziu o recorde mundial da metade da distância.

O tênis: Adizero Adios Pro Evo 3

Kejelcha calçava o adidas Adizero Adios Pro Evo 3, e o modelo merece um parágrafo próprio, porque é a peça de engenharia mais extrema do mercado de corrida hoje.

Ele pesa 97 gramas no tamanho US 9, o que faz dele o primeiro tênis de prova de uma grande marca a ficar abaixo de 100 gramas. Para efeito de comparação, um tênis de treino de amortecimento máximo pesa perto de 280 gramas.

A construção combina a espuma Lightstrike Pro Evo, que a marca afirma pesar metade da usada na geração anterior, com o sistema EnergyRim de carbono, que integra placa e espuma para devolver energia. A geometria fica em 39 mm de altura no calcanhar e 36 mm no antepé, com drop de 3 mm, e a sola leva borracha Continental no antepé.

A adidas declara ganho de 1,6% em economia de corrida sobre a versão anterior. O preço acompanha a ambição: US$ 500, conforme o Sneaker Freaker.

Vale dizer o que esse número representa. O Evo 3 é um produto de vitrine tecnológica, feito para durar poucas provas e para calçar quem disputa recordes. O corredor amador vive noutra faixa da prateleira, aquela dos modelos que aguentam volume semanal, assunto que tratamos nos melhores tênis de corrida para o treino longo.

O que esse recorde revela

Existe um detalhe bonito na história. O recorde mundial da meia maratona caiu numa prova de rua com mais de 31 mil inscritos, entre eles milhares de amadores que largaram no mesmo arco, correram o mesmo asfalto e viram os mesmos monumentos. A elite e a base dividiram o endereço.

Isso é raro no esporte. No futebol, a arquibancada assiste. No automobilismo, o público fica atrás da proteção. Na corrida de rua, a pessoa que treina três vezes por semana pisa exatamente onde o recordista mundial pisou, com algumas horas de diferença.

Kejelcha correu a 22 km/h e a maioria ali correu a metade disso. Todos receberam a mesma medalha com a mesma data gravada. O relato de quem esteve no meio da multidão naquela manhã está em Meia Maratona de Buenos Aires, o relato de quem correu.

Fonte: worldathletics.org

Kobe Bryant sentado numa arquibancada de madeira, lendo um livro.

Newsletter

O melhor do mundo esportivo, toda semana na sua caixa de entrada.