Mercado

On Running abre a primeira loja própria no Brasil

A suíça On inaugurou a primeira loja própria do Brasil no JK Iguatemi. Um estudo de caso sobre tecnologia, Federer e uma comunidade que virou mercado.

Par de tênis On Cloudmonster branco e verde com solado CloudTec, calçado por uma corredora sentada em um banco

Os primeiros protótipos foram feitos com pedaços de mangueira de jardim colados na sola de um tênis. A ideia era testar como um tubo oco se comportava no momento do impacto. Quinze anos depois, aquela gambiarra suíça virou uma das marcas de maior crescimento do esporte mundial e acaba de abrir a primeira loja própria no Brasil.

A loja, em números

A On inaugurou sua primeira unidade brasileira no Shopping JK Iguatemi, em São Paulo, no dia 30 de julho. São 205 metros quadrados, com calçados, vestuário e acessórios para corrida, treino e uso diário.

A segunda unidade abriu em seguida no MorumbiShopping, com 305 metros quadrados, e uma terceira está prevista para o Shopping Leblon, no Rio de Janeiro, segundo reportagem da Exame. Juntas, as lojas reúnem mais de mil SKUs.

Fachada envidraçada da primeira loja da On no Brasil, no JK Iguatemi, com o logo da marca em destaque
A unidade do JK Iguatemi tem 205 metros quadrados e concreto aparente na direção de arte.

O projeto arquitetônico merece atenção. A loja do JK Iguatemi se apoia na linguagem do Sesc Pompeia, de Lina Bo Bardi, com concreto aparente, brutalismo e detalhes em vermelho. A do Morumbi faz referência ao Edifício Copan, de Oscar Niemeyer. Uma marca suíça de tecnologia de corrida decidiu contar sua chegada ao país pela via da arquitetura paulistana moderna, escolha que diz mais sobre intenção do que qualquer campanha.

Uma ideia nascida numa garagem suíça

Em 2010, o ex-triatleta Olivier Bernhard se juntou a David Allemann e Caspar Coppetti para resolver um problema que ele carregava desde os anos de competição: nenhum tênis entregava a sensação que ele procurava na passada.

Os três fundadores da On sentados em um vestiário, calçando tênis da marca
Olivier Bernhard, David Allemann e Caspar Coppetti começaram a On em 2010, na Suíça.

Daí saiu a CloudTec, tecnologia que virou a espinha dorsal da marca. Os tubos ocos da entressola amortecem no momento do pouso e devolvem energia no impulso seguinte, sensação que os fundadores descreviam como correr sobre nuvens. O nome da marca veio dessa imagem. A inovação rendeu à On o ISPO Gold Award, um dos prêmios mais respeitados do setor, e a tecnologia hoje aparece em dezenas de modelos.

Federer entrou como sócio

Em 2019, Roger Federer procurou a marca com interesse em virar investidor. Os fundadores propuseram um arranjo diferente do padrão do mercado: ele entraria como embaixador global e acionista da empresa.

A aposta acompanhou a curva da companhia. A Forbes estima a participação atual do suíço em torno de 2,5% da On Holding, fatia que foi decisiva para ele entrar na lista de bilionários e que oscila junto com a ação na bolsa.

A potência que a On virou

Em pouco mais de quinze anos, a On chegou a CHF 3,009 bilhões em vendas líquidas em 2025, com crescimento de 30% sobre o ano anterior e margem bruta recorde de 62,8%, conforme os resultados divulgados pela companhia e reportados pelo Investing. O posicionamento premium, sustentado por preço alto e distribuição seletiva, colocou a marca na mesma conversa de Nike e Adidas.

A região das Américas responde por perto de 57% das vendas globais, e o Brasil é o mercado que mais cresce dentro dela.

Atletas do Pinheiros em uniforme On caminhando na pista, com o letreiro Dream On
A On patrocina o atletismo do Pinheiros e provas de rua no país desde antes de ter loja própria.

Por que São Paulo, e por que agora

A escolha da cidade seguiu um critério direto: São Paulo precisava ser vibrante, influente e ter comunidade de corrida forte o suficiente para sustentar a aposta. Fiorella Palacios, diretora sênior da marca para a América Latina, resumiu a decisão numa frase.

Você não pode ser uma marca global sem estar no Brasil.

O plano de expansão é gradual, e as lojas foram desenhadas como ponto de encontro da comunidade, na mesma lógica que transformou os clubes de corrida no ativo mais disputado do esporte, assunto de clube de corrida, a mídia mais valiosa.

O que a chegada da On revela

Durante anos, o corredor brasileiro conheceu a On pelo caminho mais difícil. Comprava fora, pedia para alguém trazer, garimpava importador. A marca circulava pelas ruas do país muito antes de ter endereço aqui, empurrada por uma comunidade que decidiu sozinha que aquilo importava.

A loja no JK Iguatemi é uma jogada de varejo bem calculada, com metragem, SKU e projeto de arquitetura. Ela também é o reconhecimento tardio de uma conta que já estava fechada. A comunidade brasileira de corrida construiu o mercado primeiro, e a marca veio depois. Quando isso acontece, a inauguração vira uma espécie de recibo.

Fonte: exame.com

Kobe Bryant sentado numa arquibancada de madeira, lendo um livro.

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