Mercado

Seis marcas esportivas gringas para conhecer e se inspirar

Satisfy, Ciele, Janji, Bandit, Norda e SAYSKY: seis marcas de corrida de fora do Brasil, quase todas criadas por corredores entre 2012 e 2021.

Corredor desce uma duna de areia em alta velocidade levantando poeira, com boné, camiseta e shorts escuros, em campanha da Satisfy

Em 1966, Bobbi Gibb correu a Maratona de Boston sem inscrição oficial e foi a primeira mulher a fazer a prova, como lembra a Outside. Quase sessenta anos depois, uma marca de Nova York usou o gesto dela como nome: Bandit, bandido em inglês. A história diz muito sobre a geração de marcas desta lista.

São seis marcas de corrida nascidas longe das grandes sedes do setor, quase todas criadas por gente que corria e não encontrava nas prateleiras a roupa que queria vestir. Cada uma resolveu esse incômodo de um jeito.

Satisfy

Fundada em Paris em 2015 por Brice Partouche, que antes criou a marca de jeans April77, segundo o perfil da Complex. Partouche descobriu a corrida já adulto e estranhou o que encontrou nas lojas: muita tecnologia e pouca história. A frase dele virou programa da marca: "para mim, o que importa é a experiência".

A Satisfy trabalha com tecidos técnicos próprios e com um visual de peça gasta pelo uso. A camiseta MothTech, por exemplo, é de algodão orgânico com furos distribuídos pelas zonas de calor do corpo, que lembram roupa vintage roída por traça. As collabs com Oakley, Adidas e HOKA levaram esse vocabulário para o tênis e para os óculos.

Três modelos da Satisfy posam juntos em estúdio de fundo claro, vestindo camisas e jaquetas técnicas em tons de cinza e marrom
A Satisfy fotografa corrida com linguagem de editorial de moda.

Ciele Athletics

Nasceu em Montreal em 2014, criada por Jeremy Bresnen e Mike Giles, de acordo com a END. Clothing. Começou por um único produto, o boné de corrida, e fez dele um objeto de desejo. O GOCap, de tecido reciclado e secagem rápida, com a aba macia e reta que virou assinatura, saiu em muitas cores e estampas.

Do boné, a Ciele expandiu para camisetas, shorts e jaquetas. É a estratégia de quem domina uma peça pequena antes de vestir o corpo inteiro.

Corredor de jaqueta amarela atravessa uma trilha coberta de neve entre pinheiros carregados de gelo
A Ciele nasceu em Montreal, onde correr no inverno faz parte da rotina.

Janji

Fundada em 2012 por Dave Spandorfer e Mike Burnstein, dois corredores da equipe de atletismo da Universidade Washington em St. Louis. Hoje a sede fica em Boston. Janji significa "promessa" em malaio, e a promessa da marca está no modelo de negócio: parte das vendas financia projetos de acesso à água potável, como registra a Wikipédia.

Cada coleção nasce ligada a um país parceiro, como Haiti, Quênia, Peru, Ruanda e Tanzânia, e as estampas partem da cultura e da paisagem desses lugares.

Dois corredores sentados numa rocha em meio a um vale verde e enevoado, vestindo jaquetas técnicas da Janji
A Janji desenha cada coleção a partir de um país e de uma paisagem.

Bandit Running

Criada em 2020, durante a pandemia, por Tim West, ex-jogador de futebol universitário que virou ultramaratonista. O irmão Nick West e a designer Ardith Singh, que vinha da Bandier, completaram a sociedade, segundo a Outside. O primeiro produto foi uma meia, testada pelos colegas do Brooklyn Track Club.

O nome é a homenagem a Bobbi Gibb, que West chama de "a bandida original". A Bandit cresceu como extensão da cena de clubes de corrida de Nova York. A loja em Greenpoint, no Brooklyn, sedia o clube Greenpoint Runners e funciona também como centro de distribuição. Um top da marca entrou na lista de melhores invenções de 2024 da revista TIME, como registra a END. Clothing.

Dois corredores com regatas coloridas da Bandit conversam encostados no alambrado de uma pista de atletismo ao entardecer, com prédios ao fundo
A Bandit nasceu dentro de um clube de corrida do Brooklyn e segue perto dele.

Essa relação entre marca e clube é o mesmo fenômeno que analisamos em clube de corrida, a mídia mais valiosa.

Norda

Também de Montreal, a Norda é obra do casal Nick e Willa Martire, que passaram a carreira na indústria do calçado. A marca estreou em agosto de 2021 com um único tênis de trail, o norda 001, segundo a Field Mag.

O cabedal é de Dyneema, uma fibra de polietileno trançado, resistente à abrasão, montada sem costuras. Em 2022 o material passou a ser de base biológica. A sola foi desenvolvida com a Vibram, e o desenho das garras reproduz as linhas topográficas da região de Montreal, como contou Nick Martire à Sneaker Freaker. Durabilidade é o argumento central da marca, que trata o tênis de trilha como objeto de design.

Corredor de roupa vermelha desce uma encosta de rocha e areia ao entardecer, pequeno diante da paisagem árida
A Norda estreou com um tênis só e construiu a marca em cima dele.

SAYSKY

A marca dinamarquesa surgiu em Copenhague no verão de 2013, criada por Lars C. Pedersen, ex-windsurfista profissional que chegou à corrida pelo triatlo. No diário da própria marca, ele conta que se sentia obrigado a abrir mão do próprio estilo quando vestia roupa de corrida. Do windsurf, trouxe a ideia de um esporte que é também estilo de vida.

O primeiro revendedor foi a Marathon Sport, loja vizinha em Copenhague. O resultado é uma roupa de treino com estética urbana e descontraída, estampas marcantes e o tigre que aparece em várias peças.

Corredor de camiseta bordô e shorts escuros atravessa uma rua de Copenhague, fotografado através de uma abertura arredondada
A SAYSKY leva a corrida para a rua e o visual da rua para a corrida.

O que essas seis marcas têm em comum

A maioria delas nasceu de um incômodo pessoal: um corredor que não se via na roupa que existia. Partouche queria experiência, Pedersen queria o próprio estilo, Tim West queria uma meia que aguentasse uma ultra. A outra regra comum é começar pequeno. A Ciele começou com um boné, a Bandit com uma meia, a Norda com um único tênis.

No Brasil, o mesmo movimento ganha força com marcas como a Snugg, e a cena dos running clubs é o terreno onde elas crescem. A lição dessas seis marcas de fora é simples. Na corrida, a identidade nasce de quem corre, e o mercado vai atrás.

Fonte: instagram.com

Kobe Bryant sentado numa arquibancada de madeira, lendo um livro.

Newsletter

O melhor do mundo esportivo, toda semana na sua caixa de entrada.