Kick Sports: a nova marca de corrida nascida em São Paulo
A Kick Sports estreia com a coleção Primordium, que busca nos primórdios da maratona os códigos visuais para vestir a corrida como cultura.

O moletom tem gola alta, faixa creme no peito e o nome da marca bordado em dourado, numa caligrafia que parece saída de um álbum de clube dos anos setenta. Vestido por uma corredora com fone no ouvido, ele poderia estar numa foto de arquivo da Maratona de Boston. Está numa campanha lançada em São Paulo, em 2026.
Essa distância entre o que a peça sugere e o momento em que ela chega resume a proposta da Kick Sports, marca brasileira de vestuário de corrida que estreia com a coleção Primordium.
O que é a Kick Sports
A Kick Sports foi fundada por Bruna Partiti e Luiz Fernando Lorenzo e chega ao mercado num dos melhores momentos do running paulistano. A assinatura da marca resume a intenção em três palavras: running culture, elevated.
Bruna assina também a direção criativa e traz para dentro da corrida um processo que vem da moda. O caminho é o resgate de símbolos e narrativas do passado para construir design contemporâneo com intenção.
A primeira coleção reúne moletons, regatas, camisetas em mesh, bermudas de compressão, bonés e acessórios, em peças autorais e unissex. No site oficial da marca, os preços vão de R$ 199,90 a R$ 599,90.

O que a Primordium busca no passado
O nome da coleção anuncia o método. A Kick Sports foi procurar nos primórdios das grandes maratonas o repertório visual de uma corrida anterior ao mercado: Boston, em 1897, e Nova York, em 1970. Era uma época em que o uniforme de prova ainda tinha cara de clube, com faixas, numeração pintada à mão e tipografia de camisa de time.
O detalhe mais bonito da coleção mora num número. Várias peças carregam a referência ao 72, ano em que uma mulher pôde correr oficialmente uma maratona pela primeira vez. Em 1972, oito mulheres largaram em Boston com inscrição válida, depois que a federação americana de atletismo passou a reconhecer a divisão feminina, e Nina Kuscsik venceu a primeira disputa oficial, segundo o registro histórico da própria Boston Athletic Association.

Escolher esse ano como assinatura gráfica diz muito sobre onde a marca quer se posicionar. Ela poderia ter usado qualquer número redondo. Preferiu um que carrega uma conquista.
Por que a marca chega num bom momento
O running paulistano vive uma fase de comunidades fortes, calendário cheio e público disposto a gastar em roupa técnica. A leitura desse cenário aparece em outras casas brasileiras, como a Snugg, que construiu território dentro da corrida de performance, e nos clubes que viraram o principal ponto de encontro entre marca e corredor, tema de clube de corrida, a mídia mais valiosa.
A Kick Sports entra por uma fresta específica desse mercado. Enquanto boa parte da categoria disputa gramatura, tecnologia de tecido e milissegundos, ela aposta que estilo também é história. A peça precisa aguentar o treino real, e precisa dizer alguma coisa quando o treino acaba.

O que isso revela
A corrida virou fenômeno de massa tão rápido que quase esqueceu de onde veio. Antes de virar métrica no relógio e vaga disputada em sorteio, ela já era estética, hábito e comunidade. Era gente correndo de camisa de algodão com o nome do clube no peito, num tempo em que ninguém chamava aquilo de mercado.
A Kick Sports chega apontando para lá. É uma marca nova falando de 1897, 1970 e 1972 para vender roupa em 2026, e essa aparente contradição é justamente o argumento. Quando uma modalidade cresce demais, ela precisa de gente que lembre a comunidade do que existia antes da corrida virar número.
Fonte: kicksports.com.br

